Muita gente hesita diante do custo de montar uma holding.
Mas quase ninguém calcula o preço de não ter uma.
O que você verá a seguir não são exemplos hipotéticos. São casos reais, públicos, documentados ? e todos podem ser conferidos diretamente pelos leitores. Famílias conhecidas (ou não), que deixaram para depois o que deveria ter sido feito em vida: um planejamento patrimonial robusto, com cláusulas protetivas e estrutura jurídica preventiva.
1. O imóvel de luxo no Leblon que virou um prédio fantasma
Um casarão localizado no bairro mais valorizado do Rio de Janeiro foi sede de um colégio tradicional. Com a morte dos proprietários, os herdeiros passaram mais de uma década brigando pela herança, o que impediu a reforma, locação ou venda do imóvel. Resultado: deterioração, abandono, prejuízos e perda patrimonial.
2. O caso Gugu Liberato: quando a ausência de cláusulas exclui a companheira
Gugu Liberato faleceu em 2019 deixando um testamento de 2011, sem incluir a companheira com quem teve três filhos. A disputa chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que validou o documento e excluiu Rose Miriam da herança.
Com uma holding bem estruturada, cláusulas protetivas e regras de governança, esse conflito poderia ter sido evitado ? e o patrimônio (avaliado em R$ 1 bilhão) preservado com segurança jurídica.
3. A herança de Chico Anysio: testamento anulado, dívidas expostas
O humorista morreu em 2012. Seu testamento excluía um dos filhos (Lug de Paula, o ?Seu Boneco?), o que levou à sua anulação em 2020. Desde então, os herdeiros travam uma batalha sobre o espólio ? que inclui dívidas estimadas em mais de R$ 7 milhões.
Sem planejamento patrimonial, a herança virou dor de cabeça ? e motivo de exposição pública.
4. O inventário de Pelé: mais de 60 bens, testamento contestado e filha reconhecida após a morte
O rei do futebol faleceu em 2022. Deixou testamento, mas a ausência de holding, cláusulas de proteção e governança familiar gerou entraves e disputas judiciais. Além da briga por cotas da herança, houve o reconhecimento de uma filha fora do casamento apenas após o falecimento, ampliando o rol de herdeiros.
Conclusão
Esses quatro casos têm algo em comum: muito patrimônio, pouca proteção.
Em cada um deles, a adoção de uma estrutura de holding familiar, com regras claras, cláusulas específicas e governança definida, teria evitado o desgaste, a demora, os litígios e as perdas.
Porque no planejamento patrimonial, não se trata apenas de evitar imposto ? mas de preservar relações, evitar rupturas e garantir continuidade.
Planejamento se faz enquanto há tempo. Depois, resta apenas tentar remediar o que poderia ter sido evitado.
O tempo perdido não se recupera.
Na próxima semana, vamos conhecer a evolução da holding familiar no Brasil.
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Sobre o autor
Piraju Borowski Mendes é sócio fundador da PBCA Planejamento, que tem a missão de elevar a conscientização e a prática do planejamento patrimonial entre as famílias brasileiras. Coronel da reserva do Exército Brasileiro e membro do Time Holding Brasil, exerce a atividade de consultoria aplicada ao planejamento patrimonial das famílias. É Doutor em Ciências Militares, por notório saber; Especialista em Direito Imobiliário Extrajudicial e Especializando em Direito de Família e Sucessões Extrajudicial. Dedica-se ao estudo e elaboração de holdings familiares desde 2021, seguindo a metodologia de planejamento patrimonial que emprega como ferramenta o sistema de holding familiar.